sexta-feira, setembro 15, 2017

Ser mãe ou não ser? Eis uma nova questão!



Nos últimos dias, ou meses, deparei-me com um apagão de ideias e vontade de escrever. Continuo lendo bastante (graças, pelo menos isso consegui não perder o gosto), pois como já dizia minha professora do antigo primário: 'só lendo a gente poderá ter ideia para escrever um bom texto'. Continuo apaixonada pelos livros, e evitando um pouco as redes sociais, pois passam a impressão que o mundo está cheio de Alices no das país das maravilhas. Só nos deparamos com mães falando como é linda a vida de mãe, que é muito fácil criar um filho, etc.

Porem toda mulher que é mãe sabe, que a maternidade, apesar de compensadora, não é uma tarefa simples e descomplicada. Exige, entre muitas outras coisas, dedicação e abdicação da própria independência, e nem toda mulher está preparada ou deseja encarar a tarefa. 

Existem duas questões que devíamos colocar sempre antes, de questionar uma mulher quando ela resolverá ter um filho: Será que todas as mulheres sempre quiseram mesmo ser mãe? O instinto materno é de fato algo essencial a nós mulheres a ponto de não podermos abrir mão dos filhos?

O tempo passou, a sociedade mudou e a mulher hoje pode, em princípio, comandar a própria vida. Mesmo que ainda sejam poucas as que assumem o papel ativo diante da vida e bancam suas escolhas, a mulher não está mais destinada a um único caminho. Criar um filho é dar muito trabalho; nas culturas latinas, o homem não costuma ajudar muito na tarefa, o que acaba sobrecarregando a mulher. Portanto, não é difícil supor que muitas mulheres possam simplesmente não desejar ser mãe. Filho pode ser maravilhoso, mas verdade seja dita, quem os tem nunca mais será completamente livre. E abrir mão da independência deve ser uma escolha, não uma imposição.

Nos dias de hoje existem mulheres que se realizam sendo mães, outras encaram a maternidade como parte da vida, um caminho a seguir, traçado antes mesmo de ela nascer: casar-se, ter filhos e cuidar da família. E há, ainda, um terceiro grupo que simplesmente não deseja viver a maternidade. Será que é difícil para uma parcela da população entender que não há nenhum problema nisso, desde que a mulher se sinta bem com sua escolha. A vida pode ser muito boa sem a presença de fraldas, mamadeiras e mordedores. Temos que acabar com esse mito de que a mulher só encontrará a felicidade e a plenitude na maternidade. Essa premissa só serve para gerar culpa nas mulheres que não se sentem assim ao se tornarem mães. A felicidade não está nos outros, sejam eles filhos ou parceiros amorosos. 

O mais importante é que a mulher tenha condições de escolher quando e se quer filhos. E ela só poderá fazer essa opção se pensar em si, na vida que deseja levar. Portanto, é preciso acabar com a ideia de que a mulher é apenas um veículo que serve para trazer vida ao planeta e cuidar dos outros de modo incondicional. Caso contrário, o resultado será frustração. Porque ter ou não ter filhos traz consequências boas e difíceis, e é a mulher que terá de encará-las. Portanto, essa decisão só cabe a ela.
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